Não importa, ó homem , qual o papel que te coube no drama da vida .
Rei ou vassalo , milionário ou mendigo ,
filósofo ou analfabeto - não importa .
Se o mendigo no palco desempenhar
bem o seu papel de mendigo ,
receberá mais aplausos do que o rei
que não soube fazer o papel de rei .
Mais vale desempenhar com inteligência o papel de tolo,
do que tolamente fazer o papel de inteligente.
Quando houveres desempenhado
do melhor modo possível o teu papel ,
brilhante ou humilde , no cenário da vida
não esperes pelos aplausos da platéia.
Desaparece em silêncio por trás dos bastidores
do esquecimento,
da ingratidão ou da morte ...
Por todo o bem que tu fizeres espera todo o mal que não farias ...
Se a platéia te aplaudir, agradece a boa intenção -
mas não contes com isso!
Se a platéia te vaiar, tolera a injúria
- mas não te entristeças por isso!
Não valem uma lágrima nem um sorriso
todos os elogios ou vitupérios do mundo.
Não és santo porque os homens o dizem
- nem és celerado porque os homens o afirmam ...
Seja-te suficiente galardão, a consciência
do dever cumprido do melhor modo possível .
Não necessita de apoteose verbal
quem dentro de si traz a apologia real
da justiça e da verdade.
Pode sofrer sereno e calmo todas as vaias do mundo ,
quem não buscou os aplausos dos homens .
Mais feliz se sente na derrota do que na vitória ,
quem não é derrotado por vitória alguma .
Mais luminosa é para o herói a escuridão dos bastidores
do que para o covarde o fulgor da ribalta.
Não vale a vida pela extensão que ocupa
no tempo ou no espaço
- VALE PELA INTENSIDADE COM QUE É VIVIDA .
H.Rohden